Um Pedaço do Quênia em Vitória
O clima do Quênia se faz presente no Museu Capixaba do Negro “Verônica da Pas” (Mucane), localizado em Vitória. No próximo sábado, dia 22, das 11 às 22 horas, o Mucane acolhe a sexta edição do “Dia dos Países Africanos”. O evento deste ano é especialmente dedicado ao Quênia, com uma programação diversificada que inclui gastronomia, música, dança, conhecimentos culturais, empreendedorismo e uma celebração da memória.
O idealizador deste projeto é o chef e produtor cultural congolês Rikler Makabu Sekelembe, que também chefia o negócio Chez Kimberly Food. O evento busca criar um espaço de troca cultural, aproximando o público brasileiro da rica diversidade das culturas africanas. Ao longo das edições, um país é destacado, oferecendo uma imersão em suas histórias, artes, sabores e modos de vida, refletindo a vasta diversidade de um continente que abriga 54 países, com centenas de grupos étnicos e línguas diferentes.
A realização do evento no Mucane possui um significado especial, pois este espaço se dedica à preservação da memória da cultura negra. O encontro destaca que a ancestralidade é mais do que uma recordação; ela se manifesta em presença, movimento e identidade.

Gastronomia Queniana no Mucane
A gastronomia será uma das principais atrações do evento, proporcionando aos participantes uma oportunidade de explorar sabores e preparar pratos tradicionais do Quênia e de outras regiões da África. O público terá a chance de degustar pratos que não apenas nutrem o corpo, mas que também contam histórias e refletem tradições culturais.
Os pratos em destaque incluem:
- Arroz de Pilau: Uma especialidade queniana que combina carne bovina com uma variedade de especiarias, geralmente servida acompanhada de banana-da-terra.
- Viazi Karai: Uma conhecida comida de rua que contém batatas, envoltas em uma massa levemente temperada com cardamomo, canela e pimenta-preta.
- Bolinhos Mágicos: Bolinhos preparados com frango ou peixe, inspirados na culinária tradicional congolesa.
- Mbwnge na Mwamba: Este prato apresenta feijão-fradinho com molho de amendoim e leite de coco, podendo ser servido com opções de carne bovina ou uma versão vegana.
- Mandazi: Um bolinho frito e doce, muito popular no Quênia, que traz uma explosão de sabor.
A criação dos pratos será enriquecida pela colaboração da queniana Rhoda Mutisya, que reside no Brasil. Com seus conhecimentos e tradições culinárias familiares, Rhoda contribuirá na preparação dos pratos, tornando-os ainda mais autênticos. Rikler destaca que a culinária é um meio poderoso de contar histórias e que cada ingrediente é um portal para compreender culturas que, mesmo distantes geograficamente, compartilham raízes profundas na formação do Brasil.
Ritmos e Danças da Diáspora Africana
A dança será um elemento essencial na programação deste evento, com diversas atividades que prometem divertir e educar os participantes. Estão programadas duas oficinas de dança que ocorrerão das 12h às 13h e das 17h às 18h. Nelas, o público poderá experimentar diferentes danças e estilos da diáspora africana, ampliando sua conexão com as tradições africanas.
A primeira oficina será conduzida por Makapon Puri, especialista em twerk, que é uma dança rica na tradição negra, traduzindo a continuidade dos saberes africanos, principalmente da cultura afro-americana. A segunda oficina será ministrada pelo Grupo de Dança Afro Negraô, com Gil Mendes à frente, um bailarino reconhecido por suas pesquisas e contribuição na área da dança. Estas aulas oferecerão um aprendizado prático sobre as dinâmicas rítmicas das danças africanas.
Durante todo o evento, o som será garantido pelo DJ Kernel, que trará uma seleção diversificada, incluindo sons da rica cena musical africana, com foco na música queniana. A diversão e a celebração da cultura musical seguirão até as 21h.
Oficinas de Dança e Cultura
As oficinas de dança no evento não servem apenas como entretenimento; elas são um ponto de conexão para o aprendizado sobre a cultura africana. Essas atividades proporcionarão espaços de expressão criativa, onde os participantes poderão não apenas aprender movimentos, mas também entender o contexto cultural por trás deles, o que enriquece ainda mais a experiência.
Através da dança, será possível viver a cultura em uma dimensão sensorial, reforçando laços com a ancestralidade e promovendo uma celebração da identidade afrodescendente.
Debates sobre Identidade e Ancestralidade
Ao longo do evento, haverá uma série de palestras enriquecedoras que deverão ocorrer entre as 13h e 16h. O grupo de debates contará com a presença de especialistas em diversos campos, que compartilharão seus conhecimentos sobre a história, cultura e contribuição do Quênia para o mundo e, especificamente, para o Brasil.
A chef e pesquisadora Kenya Souza conduzirá uma das discussões intitulada “África no Prato: sabores do Quênia e a herança da culinária africana na cozinha brasileira”. Nela, Kenya buscará estabelecer conexões entre a gastronomia, a diaspora africana e sua influência na alimentação brasileira.
Em uma sequência estimulante, a historiadora Leonor Araújo abordará “Quênia: história, cultura e a ancestralidade que nos une”, onde Rhoda Mutisya compartilhará vivências de seu país e a importância do intercâmbio cultural em terras brasileiras. Essas apresentações prometem aprofundar o entendimento sobre a rica tapestry da cultura africana e sua indelével marca na sociedade brasileira.
Encerrando a tarde de discursos, a produtora cultural Raquel Aparecida discutirá as “Raízes africanas e a identidade capixaba: manifestações populares”. Essa conversa destacará a presença e a influência da cultura africana nas expressões culturais do Espírito Santo. A mediação será feita pela jornalista e pesquisadora Gabriela Maia, cuja expertise ajudará a guiar as discussões de forma acessível e interativa, criando um espaço aberto para perguntas e diálogos.
A História do Quênia e suas Contribuições
O Quênia, conhecido por sua rica diversidade cultural e étnica, será o foco principal das discussões. O país abriga uma gama impressionante de grupos étnicos que trazem diferentes tradições e modos de vida. Durante o evento, os participantes terão a chance de aprender sobre as culturas Kikuyu, Luo, Maasai, entre outras, e como suas práticas moldaram a sociedade queniana atual.
Serão ressaltadas as contribuições do Quênia em várias áreas, incluindo arte, música, e práticas agrícolas, refletindo a interconexão entre suas tradições e o mundo moderno. O conhecimento adquirido nessas discussões será um convite à apreciação não só da cultura queniana, mas de toda a cultura africana, que é grandemente influente no cenário global.
Empreendedorismo Afro no Evento
O evento também servirá como uma plataforma para fortalecer e promover o empreendedorismo afro-brasileiro, destacando cinco empreendedores que apresentarão seus trabalhos ao público. A apresentação incluirá a exposição e venda de produtos que vão desde artesanato africano a roupas e acessórios que celebram a identidade e a riqueza cultural africana.
Esses empreendedores não só mostrarão a beleza e a criatividade das tradições africanas, mas também demonstrarão o potencial econômico das iniciativas afrodescendentes. Este espaço não apenas impulsiona a conscientização, mas também apoia a comunidade local por meio do fortalecimento das economias criativas.
O apoio a negócios de afroempreendedores e a promoção de seus produtos são passos importantes para a valorização e reconhecimento da cultura afro-brasileira, além de fornecer oportunidades que podem transformar vidas, promovendo inclusão e diversidade.
A Importância do Mucane na Preservação Cultural
O Museu Capixaba do Negro “Verônica da Pas” desempenha um papel fundamental na preservação e promoção da cultura afro-brasileira. Com o foco na história, arte, e tradições da comunidade negra, o Mucane oferece um espaço vital de memória e identidade.
Ao proporcionar um espaço para eventos como o “Dia dos Países Africanos”, o Mucane reafirma sua importância como um centro cultural no Espírito Santo, onde as histórias e experiências da população negra são valorizadas e celebradas. Receber esse evento exclusivo não apenas destaca seu compromisso com a cultura, mas também a necessidade de continuar lutando contra a invisibilização das vozes e narrativas afro-brasileiras, promovendo uma sociedade mais justa e igualitária.
Culinária: Um Caminho para Contar Histórias
A culinária vai muito além de simplesmente alimentar; ela é um meio poderoso de contar histórias e conectar culturas. O evento no Mucane não apenas apresenta pratos típicos quenianos, mas também proporciona um espaço onde cada comida remete a narrativas profundas sobre a identidade e as tradições.
O ato de cozinhar e compartilhar esses pratos revela o quanto a gastronomia é entrelaçada com a cultura e como as tradições alimentares têm o poder de unir e educar. Essa experiência oferece não apenas paladar, mas também um entendimento mais amplo do que significa ser parte de uma diáspora que preserva suas raízes enquanto se adapta a novas realidades.
Celebração da Diversidade Africana
Por fim, a celebração em torno do “Dia dos Países Africanos” tem como objetivo honrar a diversidade de culturas que compõem o continente africano, com especial atenção ao Quênia nesta edição. É uma oportunidade para os participantes se unirem em uma festa que promove a tolerância, o respeito e a valorização das diferenças, ampliando horizontes e reconhecendo a riqueza que cada cultura apresenta.
Esse evento encoraja não apenas a apreciação do que torna as culturas africanas únicas, mas também a construção de pontes de entendimento e respeito entre as diversas comunidades. É uma celebração que integra história, arte, gastronomia e, acima de tudo, a força das raízes que nos conectam.


